Hoje não estou nos meus dias mais inspirados. Entrei no período de dor. Oh dor oh vida oh azar. Não sou como a hiena Hardy do desenho que ficava se lamuriando e achando que tudo iria dar errado na vida.
Na realidade tenho dor crônica causada por uma fenda nos neurotransmissores. Pelo menos foi isto que o neurologista me disse. Como ele é muito conceituado e eu também não sou nenhum ignorante no assunto, assumi como verdadeira a explicação e desde então me trato para dor crônica. Desde que me entendo por gente sinto dores. Mas sabem aquela história, criança não sente dor. Imagina. Dor de cabeça então, nem pensar. Sorte que hoje em dia as coisas mudaram muito. Se eu tivesse nascido hoje em dia quem sabe as coisas não seriam diferentes.
Pensando bem, acho que não queria nascer hoje em dia. Sabem porque? Porque se eu nascesse exatamente hoje, todas as pessoas que conheço já teriam nascido, ou pior, partido. Não tenho certeza se quero uma vida diferente da que tenho hoje. Sei lá.
Estou filosófico, né. Acho que é por causa dos filmes que assistimos nestes dias de folia. Os filmes foram O Leitor e A Curiosa História de Benjamin Buttom. São filmes reflexivos, profundos até. Ah gente, desculpa, mas vou contar a historia do filme para vocês. Quem viu viu, quem não viu vá ver. Pois, vale realmente a pena. Quem não curte saber da historia do filme que pare de ler a partir de agora. Ninguém deve ler meu blog mesmo. Assim a dor na minha consciência não pesa muito. Bom, vamos deixar dos entretantos e partir de direto para os finalmentes, como diria o saudoso Odorico Paraguassú.
O Leitor (The Reader)
O filme é belíssimo teve cinco indicações para o Oscar 2009. Acho que a atriz principal ganhou um, não sei bem. Fala sério premiação de entrega do Oscar em plena segunda feira de carnaval? Eles estavam de sacanagem, né. Se rolou uma estatueta para alguém do filme eu realmente não tenho certeza e também pouco me importa. O que importa é que o filme é bom pra chuchu a beça. Independente de estatueta ou não.
Bom, O Leitor trata-se da história de um estudante alemão que conhece uma moça bem mais velha do que ele. Claro que eles se apaixonam. Rola um sexo básico entre eles, que era mais do que esperado. No entanto, o mais legal e ir percebendo como a história deles se desenrola. Como perceber que a moça não sabe ler.
Ah esqueci de contar. Na realidade, o filme se passa quase todo em flashback. Porque o moço atualmente é um juiz conceituado e coisa e tal e que fica o tempo todo se lembrando do tal romance. Mais adiante conto o motivo.
Bom voltando. Como disse, o legal é perceber a forma sutil como a moça demonstra que não sabe ler e escrever. Ela se recusa a ver mapas, por exemplo. Recusa-se a escolher os pratos nos restaurantes que eles frequentam ou, o mais curioso de tudo, pede pede compulsivamente que leiam para ela. Num determinado momento do romance, eles transam depois dele ler para ela. Isto é marcante.
Uma coisa ficou muito claro. A moça, mesmo não sabendo ler ou escrever, é dotada de sensibilidade e cultura. Amigos, vamos combinar que cultura nada bem a ver com conhecimento mesmo.
Bom, o filme tem uma reviravolta quando a moça desaparece no mundo. Os motivos deste desaparecimento não vem ao caso. Quem quiser saber que vá assistir ao filme. O rapaz sofre, mas sobrevive. Anos mais tarde, este rapaz, já frequentando uma conceituada escola de direito, encontra com a tal moça num tribunal sendo julgada por crimes de guerra.
Vamos combinar que é um choque para qualquer um ver o seu objeto de desejo sendo julgado por crimes cruéis. Agora imagina isto na cabeça de um alemão. Para os alemães isto ainda é uma cicatriz ainda muito difícil de curar. O julgamento rola a todo vapor e num determinado momento colocam a moça em prova. Querem que ela escreva qualquer coisa em um pedaço de papel para servir de prova da inocência dela contra um determinado documento supostamente escrito por ela. Isto poderia lhe custar a prisão perpetua ou uma sentença bem mais branda.
Amigos, neste momento a gente sente o peso do orgulho de um ser humano. Para não admitir que não sabia ler e nem escrever a moça simplesmente assume toda a culpa. Para nós tupiniquins, com uma população enorme de analfabetos, é muito esquisito ver alguém assumir uma culpa só para não admitir o analfabetismo. Agora para um alemão não. Imagina. Talvez ela seja a única na família que não saiba ler. A população alemã é toda alfabetizada. Não saber ler ou escrever é uma vergonha muito grande para eles, alemães. Neste momento todo o orgulho de uma nação é posto a prova.
O filme também evidenciou o respeito as decisões individuais. Nosso herói sabia de tudo. Tudo mesmo. Ele poderia naquele momento mudar o curso da história. No entanto, mesmo assim permaneceu calado. Para nós latinos é algo muito difícil de compreender. Devemos respeitar as decisões individuais. Cada uma sabe de si. A gente infelizmente não entende isto. Ficou claro ali.
Nosso herói sofreu. Mas, mais uma vez sobreviveu. Casou, teve filhos e se divorciou. A vida dele tomou o rumo que deveria tomar e em um belo dia teve uma brilhante idéia. Gravar as leituras que fazia e encaminhar para a tal moça. Assim fez durante longos anos.
Bom, de tanto ouvir a moça acabou entendendo o significado das palavras e começou a escrever. Gente, momento simplesmente maravilhoso do filme. Como foi lindo perceber o significado das palavras. Só quem trabalha com educação consegue entender o que digo. Alguém sair de um estado bruto para um estado lapidado por força da educação. Realmente é algo mágico. O filme continua, ate que a moça consegue liberdade. Não fica claro como esta liberdade chega. Só sei que chega.
Bom, começa outro drama. Nossa heroína simplesmente não está preparada para o mundo novo. Adivinhem o que acontece? Sim, amigos. Infelizmente ela parte. O filme é este. Aí nosso herói viaja para os EUA, tem mais uns diálogos. No final ele termina se reconciliando com a filha e contando toda a historia da vida dele.
Como disse o Filme o Leitor é emocionante, vale a pena a ida ao cinema.
O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)
A história é curiosa e tocante ao mesmo tempo. Não sei se todo mundo curte reflexão. Bom eu de vez em quando sou chegado a uma. Só de vez em quando, hein. Faz a gente refletir um bocado. Será que gostaríamos mesmo de voltar no tempo? Valeria mesmo a pena.
Tal como o filme anterior, também não sei se este filme foi merecedor de alguma estatueta. Vida triste esta de Oscar em pleno carnaval. Ninguém merece. Enfim, faz parte, como dizia um personagem do BBB.
Bom, a historia começa com uma senhora (Daisy) nos seus últimos momentos de vida falando para sua filha de como é importante que o tempo sempre ande para frente. Então ela conta uma incrível historia de um homem que perdeu o único filho na guerra e de tanta tristeza construiu um relógio que sempre contava o tempo para trás.
Neste meio tempo Daisy pede a filha que leia um diário, pois ela nunca havia conseguido ler. A filha não acha oportuno, mas a mãe insiste com o argumento de que a voz da filha é doce e lhe acalma. Aí a historia começa de verdade.
Tudo começa no ano de 1918 (final da primeira guerra) com o nascimento de uma estranha criança. Um bebê que nasceu com mais de 80 anos. Na realidade, ele nasceu pequeno como um bebê, só que com todas as enfermidades de uma pessoa senil (catarata, osteoporose, pneumonia, ausência de elasticidade na pela etc). O pai quando viu aquele bebê com aparência tão assustadora quis se desfazer dele o quanto antes. O bebê, tadinho, foi abandonado num asilo.
O bebê foi amparado e criado no asilo e logo todos perceberam que se tratava realmente de alguém diferente. O prognostico médico de pouco tempo de vida não se confirmou e o bebê começou a se desenvolver. Só que se desenvolver ao reverso. Ao invés de envelhecer o bebê cada vez mais ele rejuvenescia. Desta forma, as enfermidades devido a senilidade simplesmente se abrandavam com o passar dos anos.
No asilo Benjamin (nosso herói) tinha contato permanente com uma face triste da vida. A morte. Para a maioria das crianças esta etapa só aparece muito adiante. Para Benjamin, não. Logo ele conheceu esta face da vida. Mas ele não se abatia e continuou a se desenvolver como uma criança, não tão normal, mas como uma criança.Bom, vou dar um pulo na história. Benjamin cresceu e se tornava cada vez mais jovem. Logo ele encontrou a “adolescência”. Coloquei entre aspas de proposito. Internamente ele tinha o espirito jovem, tinha toda a curiosidade inerente da juventude, só que tudo isto estava preso num corpo envelhecido. Então todos acreditavam que Benjamin fosse realmente um velho. Na “adolescência” Benjamin foi ganhar o mundo. Teve seus amores, seus desencantos.
Benjamin tinha um amor de adolescência (Daysi). Quando ele retorna para casa seu grande amor quase não o reconhece. Porque realmente ele estava muito mais jovem. A final ele saiu de casa com a aparência de um homem de 60 anos e retorna parecendo ter uns 50.
Os anos se passam e cada um vai construindo suas vidas como podem. Daisy torna-se uma das mais brilhantes bailarinas e Benjamin finalmente descobre que é filho de um milionário.
A historia segue até que um dia os dois finalmente se encontram e no momento certo. Ambos aparentam ter exatamente a mesma idade. Ambos finalmente se encontram fisicamente na mesma idade cronológica. Neste momento, Benjamin e Daisy resolvem viver o amor deles. Um amor bonito, tranquilo. Só que com um único problema. O tempo continua correndo para trás para Benjamin e para frente para Daisy.
A diferença na direção temporal aflige Benjamin de um jeito que só depois consegui entender. Vejam só. Daysi constrói uma historia ao longo do tempo. Benjamin, não. A história de Benjamin só se descontrói. Que historia Benjamin vai ter no seu desenlace? Ele está fadado a esquecer tudo. Ele vai virar um bebê. Sem lembranças.
Por isto que ele escreveu um diário, lembram? Só que mesmo assim, vai chegar um determinado momento que ele não vai mais conseguir escrever o tal diário por pura incapacidade intelectual. O desenlace dele, por exemplo, deverá ser contado por alguém.
Benjamin está fadado a se tornar um bebê e alguém terá que cuidar dele até o seus últimos suspiros. Alguém terá que contar a história dele para ele. Gente, não sei se para vocês é fácil entender ou vivenciar isto, mas para mim isto é um tanto complicado. Imagina. Ter minha historia sendo contada desta forma. Realmente é para pensar. Depois de vivenciar a liberdade de construir a minha história perder tudo isto porque o tempo simplesmente me pre-destinou isto. Ah, não sei se quero isto para mim não. Sei lá. Para pensar.
Voltando. Como Benjamin imaginou, ele realmente retrocedeu no tempo até o estágio de um bebê. Morreu como um bebê nos braços de Daisy. Morreu sem conseguir dizer as palavras que um diziam um para o outro todas as noite “Goodbye Daisy” “Goodbye Benjamin”. Inclusive, estas palavras eram ditas, mesmo quando eles não estavam juntos. “Goodbye Daisy” “Goodbye Benjamin”.
Benjamin morreu sem reconhecer a pessoa que amou durante toda uma vida. Morreu tendo sua historia sendo contada através de um diário incompleto. Coube a Daisy no leito de morte terminar a historia de Benjamin para a filha. A filha fica chocada quando descobre que seu verdadeiro pai é Benjamin.
Bom gente, só me resta dizer para os heróis do filme “Goodbye Benjamin” “Goodbye Daysi”
Enfim, não me propus aqui a fazer uma narrativa completa dos filme. Coloquei minha impressão. Ambos os filmes valem a pena. São propostas diferentes, porém interessantes.
Hei. Vem cá. Comecei falando da minha dor e enveredei pelos filmes. A dor esqueci (hauahus). Como diz a musica da Marisa Montes (De mais ninguém) “Eu tenho a minha dor e não é de mais ninguém…”. Para não dizer que não falei das flores, coloco o clipe desta musica também. Sambo do crioulo doido que ficou o blog hoje.
Gente, beijos e fui.
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