domingo, 21 de junho de 2009

Direitos Iguais

 

Quem me conhece sabe que direito é direito independente de quem ou para quem seja. Saiu uma reportagem no O Globo muito interessante sobre igualdade de direitos que reproduzo na integra para todos (esta aqui no link para quem quiser comprovar: http://oglobo.globo.com/economia/mat/2009/06/19/caixa-concede-seis-meses-de-licenca-adocao-para-homens-756416933.asp )

 

 

CAIXA CONCEDE SEIS MESES DE LICENÇA-ADOÇÃO PARA HOMENS

RIO - A Caixa Econômica Federal anunciou nesta sexta-feira que decidiu conceder até 180 dias de licença-adoção para seus empregados solteiros ou em relação estável homoafetiva. O benefício já havia sido instituído pelo banco em abril deste ano, mas apenas para mulheres. Desde então, passaram a valer a licença-maternidade e a licença-adoção de seis meses para as funcionárias. Para os homens que adotassem uma criança, o benefício estava limitado a 30 dias.

A ampliação do benefício garante direitos iguais para homens e mulheres que trabalham na instituição, segundo a Gerente da Padrões e Planejamento da Caixa, Laura Macedo, que destaca o
papel pioneiro da empresa.

- Nosso foco é o desenvolvimento da criança. Também ampliamos a licença-paternidade para dez
dias não consecutivos, quando a CLT prevê apenas cinco dias consecutivos - explicou.
De acordo com a gerente da Caixa, a ampliação da licença-adoção para os homens resulta de um
esforço do banco para investir na questão da diversidade interna dos empregados, na expectativa de
quebrar estigmas e contagiar a sociedade.

- Este processo começou em 2006, quando o banco criou a possibilidade do funcionário cadastrar o
companheiro homossexual como beneficiário da Previdência - lembra Laura Macedo.

Segundo a Caixa, esta licença-adoção ampliada para o homem solteiro ou em união homoafetiva terá início na data estabelecida para o início da guarda. Os prazos serão diferenciados, de acordo com a idade da criança. Para adoção de um bebê com até um ano de idade, a licença é de 180 dias. No caso de crianças até quatro anos, será de 120 dias. Se a idade for entre quatro e oito anos, o funcionário poderá ficar 75 dias em casa.

Se dois funcionários da Caixa tiverem uma relação homoafetiva e adotarem uma criança juntos, apenas aquele que tiver a paternidade registrada em documento poderá usufruir do benefício.

O Globo – 19/06/2009 - http://oglobo.globo.com/economia/mat/2009/06/19/caixa-concede-seis-meses-de-licenca-adocao-para-homens-756416933.asp

 

 

Bom, seria uma simples notícia se não houve o radical homo. Esta simples palavrinha foi o suficiente para alavancar para movimentar corações e mentes mover uma discussão sem sentido.

A inciativa da Caixa tem por único objetivo auxiliar a criança. Porém tinha neguinho misturando tudo. Fizeram comentários desde do ódio homofóbico até da incompetência da caixa em atender as pessoas. Agora pergunto, o que uma coisa tem haver com a outra? Povo sem noção. Esqueceram que o foco da medida é o bem estar da criança e não pensamentos sócio-partidários a favor ou contra relacionamentos homossexuais. Povo idiota.

Vamos combinar. Fico muito danado quando mudam o foco da discussão por pura burrice. Uma medida tão legal da Caixa que vai beneficiar diretamente a criança adotada e vem um monte de imbecil e fica discutindo se sexo entre dois homens é saudável ou não. Fala sério. Este nem é o foco do post.

Bom, hoje li na coluna do João Ximenes Braga um tópico que fala justamente sobre o terror que determinadas liberdades de nossas vidas causam sobre outros, principalmente aos mais conservadores? O grande motivo de tanta indignação, tanto ódio é o fato do julgamento moral não ter a mínima importância nas nossas vidas. A gente não deixa de fazer absolutamente nada, mais nada mesmo nas nossas vidas por causa do julgamento moral dos alheios. Mesmo que seja as escondidas.

Nunca havia pensado nisto. Os moralistas tem noção disto. Nós não. A gente fica aqui pensando: Meu Deus o que os outros vão pensar, vou fazer isto mais escondidinho ou aquilo daquela forma para não chocar etc etc. Só que iremos fazer, independentemente do que pensem se é certo ou errado. Os moralistas de plantão sabem deste nosso temor e se aproveitam disto. João Ximenes Braga, você é um gênio.

Depois deste post finalmente entendi porque tanto ódio em determinadas pessoas. Estas pessoas perceberam que por mais que elas gritem, xinguem, pulem etc, ninguém vai deixar de fazer o que querem. Porque na realidade, ninguém se importa de verdade com o julgamento moral dos outros. A pura realidade da vida é esta. Assim, o único jeito dos moralistas chamarem a atenção é a partir da agressão.

Vou postar na integra a coluna de João Ximenes Braga. Infelizmente não sei o link. Saiu no O Globo de 21/06/2009 na seção O País (se alguém souber o link, por favor me passe).

 

 

“A REVOLTA DOS PERDIGOTOS

Homoterrorismo é a desimportância em desespero. A sexualidade é inalterável e inatingível. E quando se trata de sexualidade, só existe uma coisa no mundo que consegue ser mais desprovida de importância que a opinião pessoal: o julgamento moral.

Você pode julgar quanto quiser a sexualidade alheia. Não tem importância. Você pode ser hétero e fazer a elegia dos seus amigos gays. Não tem importância. Você ser gay e fazer piadas maldosas sobre o comportamento ‘careta’ dos héteros. Não tem importância. Eles não deixarão de ser o que são.

Você pode ser conservador e barrar leis no Congresso, fazer passeatas pela família, dizer que o mundo está acabando, que Deus vai punir a todos. Não tem importância, não passa do registro da fofoca, ninguém vai deixar de se deitar com quem quer. Pode até deitar escondido, ou demorar a criar coragem, mas vai deitar. Deitar e suar e trocar saliva e outros fluidos que, com sorte, ficarão na camisinha.

E você pode achar isto nojento. Mas não tem importância Pois a sua opinião e o seu julgamento sobre a sexualidade alheia não tem importância. Porque é alheia. Se é alheia, é do outro; se é do outro, não é sua; não sendo sua, não vai mudar por sua causa.

Você pode ser deputado crente ou padre pitboy, pode ser simpatizante ou skinhead, pode ser presidente do Irã ou suplente do PTC, grandes coisas, azar o seu, a sexualidade alheia continuará a não ser da sua conta. O pessoal vai continuar deitando e suando e trocando saliva enquanto você desperdiça os seus perdigotos uivando indignações pelas esquinas.

Aí, numa desesperada tentativa de não admitir que seu julgamento moral é inútil, você joga uma bomba. Você pode até matar alguns indivíduos. Ferir outros. Emperrar a vida de muitos. Vãs tentativas de ter importância, pois não vai, jamais, impedir que o mundo gire, a lusitana rode e as pessoas se deitem com quem quiserem, como quiserem. Seu julgamento moral e sua opinião, quaisquer que sejam, serão para sempre da mais profunda desimportância.

A não ser, claro, para você mesmo. Pois como diz Tennesse Williams na voz de Chance, o protagonista de ‘Doce pássaro da juventude’, a grande diferença entre as pessoas neste mundo ‘ não é entre quem é rico e pobre, bom ou mau.É entre quem tem ou teve prazer no amor e quem nunca teve prazer no amor, apenas observou, com inveja, inveja doentia’.”

João Ximenes Braga – O Globo – 20/06/2009

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