quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A dor de quem tem

 

Hoje não estou nos meus dias mais inspirados. Entrei no período de dor. Oh dor oh vida oh azar. Não sou como a hiena Hardy do desenho que ficava se lamuriando e achando que tudo iria dar errado na vida.

 

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Na realidade tenho dor crônica causada por uma fenda nos neurotransmissores. Pelo menos foi isto que o neurologista me disse. Como ele é muito conceituado e eu também não sou nenhum ignorante no assunto, assumi como verdadeira a explicação e desde então me trato para dor crônica. Desde que me entendo por gente sinto dores. Mas sabem aquela história, criança não sente dor. Imagina. Dor de cabeça então, nem pensar. Sorte que hoje em dia as coisas mudaram muito. Se eu tivesse nascido hoje em dia quem sabe as coisas não seriam diferentes.

Pensando bem, acho que não queria nascer hoje em dia. Sabem porque? Porque se eu nascesse exatamente hoje, todas as pessoas que conheço já teriam nascido, ou pior, partido. Não tenho certeza se quero uma vida diferente da que tenho hoje. Sei lá.

Estou filosófico, né. Acho que é por causa dos filmes que assistimos nestes dias de folia. Os filmes foram O Leitor e A Curiosa História de Benjamin Buttom. São filmes reflexivos, profundos até. Ah gente, desculpa, mas vou contar a historia do filme para vocês. Quem viu viu, quem não viu vá ver. Pois, vale realmente a pena. Quem não curte saber da historia do filme que pare de ler a partir de agora. Ninguém deve ler meu blog mesmo. Assim a dor na minha consciência não pesa muito. Bom, vamos deixar dos entretantos e partir de direto para os finalmentes, como diria o saudoso Odorico Paraguassú.

O Leitor (The Reader)

O filme é belíssimo teve cinco indicações para o Oscar 2009. Acho que a atriz principal ganhou um, não sei bem. Fala sério premiação de entrega do Oscar em plena segunda feira de carnaval? Eles estavam de sacanagem, né. Se rolou uma estatueta para alguém do filme eu realmente não tenho certeza e também pouco me importa. O que importa é que o filme é bom pra chuchu a beça. Independente de estatueta ou não.

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Bom, O Leitor trata-se da história de um estudante alemão que conhece uma moça bem mais velha do que ele. Claro que eles se apaixonam. Rola um sexo básico entre eles, que era mais do que esperado. No entanto, o mais legal e ir percebendo como a história deles se desenrola. Como perceber que a moça não sabe ler.

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Ah esqueci de contar. Na realidade, o filme se passa quase todo em flashback. Porque o moço atualmente é um juiz conceituado e coisa e tal e que fica o tempo todo se lembrando do tal romance. Mais adiante conto o motivo.

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Bom voltando. Como disse, o legal é perceber a forma sutil como a moça demonstra que não sabe ler e escrever. Ela se recusa a ver mapas, por exemplo. Recusa-se a escolher os pratos nos restaurantes que eles frequentam ou, o mais curioso de tudo, pede pede compulsivamente que leiam para ela. Num determinado momento do romance, eles transam depois dele ler para ela. Isto é marcante.

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Uma coisa ficou muito claro. A moça, mesmo não sabendo ler ou escrever, é dotada de sensibilidade e cultura. Amigos, vamos combinar que cultura nada bem a ver com conhecimento mesmo.

Bom, o filme tem uma reviravolta quando a moça desaparece no mundo. Os motivos deste desaparecimento não vem ao caso. Quem quiser saber que vá assistir ao filme. O rapaz sofre, mas sobrevive. Anos mais tarde, este rapaz, já frequentando uma conceituada escola de direito, encontra com a tal moça num tribunal sendo julgada por crimes de guerra.

Vamos combinar que é um choque para qualquer um ver o seu objeto de desejo sendo julgado por crimes cruéis. Agora imagina isto na cabeça de um alemão. Para os alemães isto ainda é uma cicatriz ainda muito difícil de curar. O julgamento rola a todo vapor e num determinado momento colocam a moça em prova. Querem que ela escreva qualquer coisa em um pedaço de papel para servir de prova da inocência dela contra um determinado documento supostamente escrito por ela. Isto poderia lhe custar a prisão perpetua ou uma sentença bem mais branda.

Amigos, neste momento a gente sente o peso do orgulho de um ser humano. Para não admitir que não sabia ler e nem escrever a moça simplesmente assume toda a culpa. Para nós tupiniquins, com uma população enorme de analfabetos, é muito esquisito ver alguém assumir uma culpa só para não admitir o analfabetismo. Agora para um alemão não. Imagina. Talvez ela seja a única na família que não saiba ler. A população alemã é toda alfabetizada. Não saber ler ou escrever é uma vergonha muito grande para eles, alemães. Neste momento todo o orgulho de uma nação é posto a prova.

O filme também evidenciou o respeito as decisões individuais. Nosso herói sabia de tudo. Tudo mesmo. Ele poderia naquele momento mudar o curso da história. No entanto, mesmo assim permaneceu calado. Para nós latinos é algo muito difícil de compreender. Devemos respeitar as decisões individuais. Cada uma sabe de si. A gente infelizmente não entende isto. Ficou claro ali.

Nosso herói sofreu. Mas, mais uma vez sobreviveu. Casou, teve filhos e se divorciou. A vida dele tomou o rumo que deveria tomar e em um belo dia teve uma brilhante idéia. Gravar as leituras que fazia e encaminhar para a tal moça. Assim fez durante longos anos.

Bom, de tanto ouvir a moça acabou entendendo o significado das palavras e começou a escrever. Gente, momento simplesmente maravilhoso do filme. Como foi lindo perceber o significado das palavras. Só quem trabalha com educação consegue entender o que digo. Alguém sair de um estado bruto para um estado lapidado por força da educação. Realmente é algo mágico. O filme continua, ate que a moça consegue liberdade. Não fica claro como esta liberdade chega. Só sei que chega.

Bom, começa outro drama. Nossa heroína simplesmente não está preparada para o mundo novo. Adivinhem o que acontece? Sim, amigos. Infelizmente ela parte. O filme é este. Aí nosso herói viaja para os EUA, tem mais uns diálogos. No final ele termina se reconciliando com a filha e contando toda a historia da vida dele.

Como disse o Filme o Leitor é emocionante, vale a pena a ida ao cinema.

O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)

A história é curiosa e tocante ao mesmo tempo. Não sei se todo mundo curte reflexão. Bom eu de vez em quando sou chegado a uma. Só de vez em quando, hein. Faz a gente refletir um bocado. Será que gostaríamos mesmo de voltar no tempo? Valeria mesmo a pena.

Tal como o filme anterior, também não sei se este filme foi merecedor de alguma estatueta. Vida triste esta de Oscar em pleno carnaval. Ninguém merece. Enfim, faz parte, como dizia um personagem do BBB.

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Bom, a historia começa com uma senhora (Daisy) nos seus últimos momentos de vida falando para sua filha de como é importante que o tempo sempre ande para frente. Então ela conta uma incrível historia de um homem que perdeu o único filho na guerra e de tanta tristeza construiu um relógio que sempre contava o tempo para trás.

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Neste meio tempo Daisy pede a filha que leia um diário, pois ela nunca havia conseguido ler. A filha não acha oportuno, mas a mãe insiste com o argumento de que a voz da filha é doce e lhe acalma. Aí a historia começa de verdade.

Tudo começa no ano de 1918 (final da primeira guerra) com o nascimento de uma estranha criança. Um bebê que nasceu com mais de 80 anos. Na realidade, ele nasceu pequeno como um bebê, só que com todas as enfermidades de uma pessoa senil (catarata, osteoporose, pneumonia, ausência de elasticidade na pela  etc). O pai quando viu aquele bebê com aparência tão assustadora quis se desfazer dele o quanto antes. O bebê, tadinho, foi abandonado num asilo.

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O bebê foi amparado e criado no asilo e logo todos perceberam que se tratava realmente de alguém diferente. O prognostico médico de pouco tempo de vida não se confirmou e o bebê começou a se desenvolver. Só que se desenvolver ao reverso. Ao invés de envelhecer o bebê cada vez mais ele rejuvenescia. Desta forma, as enfermidades devido a senilidade simplesmente se abrandavam com o passar dos anos.

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No asilo Benjamin (nosso herói) tinha contato permanente com uma face triste da vida. A morte. Para a maioria das crianças esta etapa só aparece muito adiante. Para Benjamin, não. Logo ele conheceu esta face da vida. Mas ele não se abatia e continuou a se desenvolver como uma criança, não tão normal, mas como uma criança.Bom, vou dar um pulo na história. Benjamin cresceu e se tornava cada vez mais jovem. Logo ele encontrou a “adolescência”. Coloquei entre aspas de proposito. Internamente ele tinha o espirito jovem, tinha toda a curiosidade inerente da juventude, só que tudo isto estava preso num corpo envelhecido. Então todos acreditavam que Benjamin fosse realmente um velho. Na “adolescência” Benjamin foi ganhar o mundo. Teve seus amores, seus desencantos.

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Benjamin tinha um amor de adolescência (Daysi). Quando ele retorna para casa seu grande amor quase não o reconhece. Porque realmente ele estava muito mais jovem. A final ele saiu de casa com a aparência de um homem de 60 anos e retorna parecendo ter uns 50.

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Os anos se passam e cada um vai construindo suas vidas como podem. Daisy torna-se uma das mais brilhantes bailarinas e Benjamin finalmente descobre que é filho de um milionário.

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A historia segue até que um dia os dois finalmente se encontram e no momento certo. Ambos aparentam ter exatamente a mesma idade. Ambos finalmente se encontram fisicamente na mesma idade cronológica.  Neste momento, Benjamin e Daisy resolvem viver o amor deles. Um amor bonito, tranquilo. Só que com um único problema. O tempo continua correndo para trás para Benjamin e para frente para Daisy.

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A diferença na direção temporal aflige Benjamin de um jeito que só depois consegui entender. Vejam só. Daysi constrói uma historia ao longo do tempo. Benjamin, não. A história de Benjamin só se descontrói. Que historia Benjamin vai ter no seu desenlace? Ele está fadado a esquecer tudo. Ele vai virar um bebê. Sem lembranças.

Por isto que ele escreveu um diário, lembram? Só que mesmo assim, vai chegar um determinado momento que ele não vai mais conseguir escrever o tal diário por pura incapacidade intelectual. O desenlace dele, por exemplo, deverá ser contado por alguém.

Benjamin está fadado a se tornar um bebê e alguém terá que cuidar dele até o seus últimos suspiros. Alguém terá que contar a história dele para ele. Gente, não sei se para vocês é fácil entender ou vivenciar isto, mas para mim isto é um tanto complicado. Imagina. Ter minha historia sendo contada desta forma. Realmente é para pensar. Depois de vivenciar a liberdade de construir a minha história perder tudo isto porque o tempo simplesmente me pre-destinou isto. Ah, não sei se quero isto para mim não. Sei lá. Para pensar.

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Voltando. Como Benjamin imaginou, ele realmente retrocedeu no tempo até o estágio de um bebê. Morreu como um bebê nos braços de Daisy. Morreu sem conseguir dizer as palavras que um diziam um para o outro todas as noite “Goodbye Daisy” “Goodbye Benjamin”. Inclusive, estas palavras eram ditas, mesmo quando eles não estavam juntos. “Goodbye Daisy” “Goodbye Benjamin”.

Benjamin morreu sem reconhecer a pessoa que amou durante toda uma vida. Morreu tendo sua historia sendo contada através de um diário incompleto. Coube a Daisy no leito de morte terminar a historia de Benjamin para a filha. A filha fica chocada quando descobre que seu verdadeiro pai é Benjamin.

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Bom gente, só me resta dizer para os heróis do filme “Goodbye Benjamin” “Goodbye Daysi”

Enfim, não me propus aqui a fazer uma narrativa completa dos filme. Coloquei minha impressão. Ambos os filmes valem a pena. São propostas diferentes, porém interessantes.

Hei. Vem cá. Comecei falando da minha dor e enveredei pelos filmes. A dor esqueci (hauahus). Como diz a musica da Marisa Montes (De mais ninguém) “Eu tenho a minha dor e não é de mais ninguém…”. Para não dizer que não falei das flores, coloco o clipe desta musica também. Sambo do crioulo doido que ficou o blog hoje.

Gente, beijos e fui.

Marisa Monte - De mais Ninguem

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Bem que suspeitava

 

Um amigo me perguntou porque abri um blog. Respondi secamente porque gostava de escrever. Mentira! Abri o blog porque achava necessário me expressar livremente sem ser interrompido. Não tenho problemas em receber críticas. Todos podem me criticas a vontade. Claro! Imagina. Vou respeitar todas as criticas sejam quais foram, desde que não me ofenda moralmente, tudo certo. Digo criticar no meio do meu pensamento. Isto me deixa louco.

Confesso também que gosto de viajar nas idéias. Já deu para perceber isto. Adoro uma conversa fiada. As idéias vem é vão igual aquela musica do Sempre Livre (lá vou eu de novo).

Amigo, Sempre Livre para quem não sabe era um conjunto musical velho pra cacete mais muito bom pra de deu. Elas cantavam umas musiquinhas sem muita pretensão, mas que davam uma vontade irresistível de dançar. Uma destas musicas eram de autoria de Herbet Viana e caiu como uma luva na voz rouca da líder do Sempre Livre. A musica se chamava Fui Eu. Era mais ou menos assim: Os pés descalços, queimando no asfalto…vejam o vídeo e divirtam-se….

 

Sempre Livre - Fui Eu

Depois do meu devaneio, volto ao tópico. Bom, porque escrevo. Escrever me ajuda a arrumar as idéias. Serio mesmo. Sempre quando estou meio agoniado duas coisas me ajudam a me acalmar. Hidroginástica e escrever. A primeira por razões obvias. Exercícios físicos contribuem para a produção de adrenalina e serotonina. No meu caso, santos remédios para dor. A segunda opção foi uma recomendação do neurologista como uma forma de relaxar a mente. A principio achei meio maluca. Como? Ocupar a mente para relaxar a mente? Queridos, acreditem, realmente funciona. Pelo menos comigo que não sou muito normal funciona. Não sei se com nos seres perfeitamente normais funcionaria. Comigo funcionou como uma luva.

Porque não sou normal. Amigos, falo sozinho. Isto não é normal. Admito. Também tenho algumas manias que reconheço que também não são muito normais. Por exemplo, gosto de tudo mais ou menos certinho, também gosto de chegar no horário sempre, ou de seguir sempre as regras. Gente, isto também não é normal. O normal é querer transgredir as regras. As pessoas são assim. Todos que conheço são assim. Só que isto para mim é muito complicado. Vocês não tem noção como é complicado para mim transgredir as regras estabelecidas. Por isto assumo publicamente minha anormalidade.

Oh, melhorei muito. Atualmente, já avanço sinal vermelho durante a madrugada. Já não peço milhares de perdão quando chego atrasado a uma reunião ou a um encontro por causa do transito. Transito então é uma boa desculpa ótima para atraso.

Bom, feito minha mea culpa. Volto ao texto. Outro dia achei um texto muito interessante sobre as propriedades terapêuticas de escrever. Achei numa revista muito conceituada chamada Mente e Cérebro. Aí não sei se todos tem acesso a esta revista, resolvi transcrever na integra o texto. Será que eles vão ficar chateados comigo? Será que vou ser processado. Bom coloco a referencia, a data e o autor. Já estou aqui sofrendo porque copiei um texto da internet. Estão vendo como sou. Bom, por via das dúvidas, coloquei o texto entre entre aspas e em itálico. Dá para perceber que o texto está IPSIS LITERIS. Aha, agora peguei pesado! Procurem no Google o significado de Ipsis Literis. Me recuso a dizer.

Bom, como dizia Odorico Paraguaçu, Vamos deixar de lado os entretantos aos finalmentes.

 

 

“Quando o remédio é escrever

Efeitos terapêuticos de manter blogs atraem atenção de pesquisadores

por Jessica Wapner


© VR Photos/Shutterstock

A busca por uma vida mais saudável pode ser um dos motivos do enorme aumento do número de blogs. Estima-se que sejam cerca de 3 milhões por todo o planeta. Cientistas e escritores há anos conhecem os benefícios terapêuticos de escrever sobre experiências pessoais, pensamentos e sentimentos. Mas, além de servir como um mecanismo para aliviar o stress, expressar-se por meio da escrita traz muitos benefícios fisiológicos. Pesquisas mostram que com a prática da escrita é possível aprimorar a memória e o sono, estimular a atividade dos leucócitos e reduzir a carga viral de pacientes com aids e até mesmo acelerar a cicatrização após uma cirurgia. Um estudo publicado na revista científica Oncologist mostra que pessoas com câncer que escreviam para relatar seus sentimentos logo depois, se sentiam muito melhor, tanto mental quanto fisicamente, em comparação a pacientes que não se deram a esse trabalho.
Pesquisadores empenham-se agora em explorar as bases neurológicas em jogo, especialmente levando em conta a explosão dos blogs. De acordo com a neurocientista Alice Flaherty, da Universidade Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts, a teoria do placebo para o sofrimento pode ser aplicada a esse caso. Como criaturas sociais, recorremos a uma variedade de comportamentos relacionados à dor. A reclamação, por exemplo, funciona como um “placebo para conseguir satisfação”, afirma Flaherty. Usar o blog para “botar a boca no mundo”, expressar insatisfações e partilhar experiências estressantes pode funcionar da mesma forma.
Flaherty, que estuda casos como a hipergrafia (desejo incontrolável de escrever) e também o bloqueio criativo, analisa modelos de doenças que explicam a motivação por trás dessa forma de comunicação. Por exemplo, as pessoas em estado de mania (pólo oposto à depressão, característico do transtorno bipolar) geralmente falam demais. “Acreditamos que algo no sistema límbico do cérebro fomente a necessidade de a pessoa se comunicar”, explica Flaherty. Localizada principalmente no centro do cérebro, essa área controla motivações e impulsos relacionados a comida, sexo, desejo e iniciativa para resolução de problemas. “Sabemos que há impulsos envolvidos na criação de blogs, pois muitas pessoas agem de forma compulsiva em relação a eles. Além disso, o hábito de mantê-los atualizados pode desencadear a liberação de dopamina, os estímulos são similares aos que temos quando escutamos música, corremos ou apreciamos uma obra de arte”, diz Flaherty.

Os lóbulos frontal e temporal, que controlam a fala (centro dedicado à escrita está diretamente conectado ao cérebro), talvez tenham, também, um papel importante nesse processo. Lesões na área de Wernicke, localizada no lóbulo temporal esquerdo, por exemplo, resultam em fala excessiva e perda da compreensão da linguagem. Pessoas com afasia de Wernicke apresentam linguagem inarticulada e é comum escreverem constantemente. Tendo em vista essas características, Flaherty especula que alguma atividade nessa área poderia estimular o desejo de criar blogs.
Cientistas reconhecem, porém, que a neurobiologia da escrita terapêutica ainda apresenta muitos pontos obscuros. As tentativas de retratar o cérebro antes e depois de escrever renderam poucas informações, pois as regiões ativas estão localizadas em áreas muito profundas do sistema cerebral. “Estudos recentes com ressonância magnética funcional demonstraram que o cérebro trabalha de forma diferente antes, durante e depois de escrever”, observa o psicólogo James Pennebaker, da Universidade do Texas, em Austin. Mas o pesquisador e vários de seus colegas ainda são céticos quanto ao valor dessas imagens, pois são difíceis de reproduzir e quantificar.
O que se sabe é que a escrita ativa um conjunto de vias neurológicas – e vários estudiosos estão comprometidos em descobri-las. Na Universidade do Arizona, o psicólogo e neurocientista Richard Lane usa técnicas de imagem cerebral para estudar a neuroanatomia das emoções e a forma como elas são expressas. Nancy Morgan, principal autora do estudo publicado na Oncologist, pretende realizar novos estudos baseados na comunidade e ensaios clínicos sobre a escrita expressiva. Pennebaker continua a investigar a ligação entre a escrita expressiva e alterações biológicas, como uma melhor noite de sono, que são essenciais à saúde. “Acredito que o foco no sono é um dos mais promissores”, diz. Sejam lá quais forem as causas subjacentes, as pessoas diagnosticadas com câncer e com outras doenças graves estão buscando (e encontrando) cada vez mais conforto na blogosfera. “Sem dúvida criar blogs traz benefícios. E, diferentemente de um diário de cabeceira, os blogs oferecem o benefício adicional de atrair leitores receptivos, que viveram situações similares”, considera Morgan, que planeja incorporar programas de redação ao programa preventivo para pacientes de câncer.

 

Mente Cerebro - edição 192 - Janeiro 2009”

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Natal em Matinhos

 

Finalmente tive inspiração de escrever sobre o “Natal em Matinhos”. Nossa parece até título daquelas comédias pastelão que passam na sessão da tarde em que dá tudo errado durante o filme inteiro e no final dá tudo certo. Bom, Não vou negar pra vocês, deu tudo errado o filme inteiro e no final deu tudo certo (hauhauahus).

Primeiro, não tinha como cozinhar na casa (tragédia numero um). Segundo, mesmo que tivesse como cozinha, o dono da casa não queria que fizéssemos absolutamente nada (tragédia numero dois). Terceiro, não tinha aonde comprar nada (tragédia numero três), já esqueceram que matinhos é a capital mundial das bugigangas, uma verdadeira metrópole. Quarto, o dono da casa estava meio estressado com alguns problemas que aconteceram e achamos melhor fazer exatamente o que manda uma regra básica: Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Aí pensei, bom vamos ter que comer de qualquer jeito. Afinal ainda não alcançamos o estado de graça absoluta de vivermos de luz que nem os monges tibetanos. Não adianta jogar sobre mim um pano laranja que algumas coisas básicas vou continuar fazendo. entre estas coisas encontram-se comer e sexo. Não tem jeito.

Bom voltando, como é noite de natal não deve ter nada aberto. Não tinha jeito. A grande metrópole, Matinhos, não estava preparada para os caipiras do RJ. Então o que fiz. Comprei algumas coisas prontas. Nada que fizesse sujeira. Não sei se vocês conhecem, mais existem uns legumes cozidos no vapor e embalados a vácuo. Comprei também um pote de maionese. Ah, comprei algumas carnes numa churrascaria. Comprei também umas latinhas de atum e Champion. Esqueci de falar do milho, ervilha e da seleta de legumes. Achei uma saladinha de frutas e uns salgadinhos feitos no forno num self service perto de aonde estávamos. Cheguei em casa e deixei tudo reservado.

Xande, coitadinho,  estava desolado pensando que não teria ceia de natal. Só que eu, Xapolin Colorado, com toda a minha astucia pensei: Quando der mais ou menos na hora da gente comer arrumo nossos pratos e a gente come (Xande não contava com minha astucia). Ainda pensei: nosso amigo Edison talvez nem queira participar da ceia. Ele realmente estava muito chateado com alguns problemas, enfim.

Agora, sabe aquelas coisas mágicas de espirito de natal. Foi isto exatamente que aconteceu. De repete do nada, Edison resolveu sair de casa e quando retornou trouxe uma toalha linda demais e colocou na mesa. Quando vi aquilo, percebi o sinal que poderia arrumar os legumes de uma forma bonita e preparar as saladas. Estava tudo pronto mesmo. Parecia aquele desenho dos Jetsons. Só desembalar e comer. Foi tudo no improviso. Ah gente, vamos combinar que ficou bonitinho.

Bom, a torta foi comprada também (hauhauahus). Admito. Só que na hora de comer tinha tanto rum, mais tanto rum, que quase caímos desmaiados no chão. Não precisa nem dizer que o chato de plantão do Xande começou a reclamar. Ele abria a boca dizendo que estava pegando fogo. Dizia que precisava ir ao hospital. Que precisava beber água. Dizia que estava tonto. Foi um show a parte. Eu com minha lerdeza de sempre, achei o gosto um pouco forte, é verdade. Agora nada que merecesse tanto espetáculo. Sugeri que ele tentasse trocar a torta ou então que jogasse fora. Graças a Deus ele conseguiu trocar a torta por um pudim (que também estava uma delícia). Infelizmente o pudim não deu pra sair na foto.

Bom gente, como dizia Fernando Pessoa. No final tudo deu certo. Se ainda não deu certo é porque ainda não chegou ao final. O cumulo do otimismo é isto aí. Este foi mais um natal que passamos juntos. Fazer igual a personagem: Tá bom pra você? Bom bom, não tá, né. Faltou rabanada (Vocês acreditam que Xande reclamou disto? sem noção, né). Mas tá bom, tá bom, tá bom

Queridos, beijos e vamos ver se no próximo natal eu passo em Paris (hauhauahs).

 

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sábado, 7 de fevereiro de 2009

A tragédia das férias

 

Férias na televisão é sempre lindo. Todo mundo passeando, sorrindo. Indo a lugares maravilhosos etc etc e tal. Bom, na vida como ela é as coisas não são bem assim. Chove, a gente suja roupa pra cacete, os lugares são uma bomba. Enfim, tudo normal.

Por exemplo, aqui na metrópole (Matinhos, pra quem não se lembra) tem milhares de programas. Barrrzinho (com sotaque do sul), praça, barzinho e visitação obrigatória as milhares de lojas de bugigangas. Passeio na praia não é lá grandes coisas, ainda mais para os cariocas. Enfim, cada um carrega a cruz que pode carregar. Quem manda não ir para a Disney. Ano que vem me vingo.

Querido, já repararam como comemos e sujamos roupa. Um inferno! Porque não somos igual a monges tibetanos e vivemos de luz? Tudo seria tão mais fácil. Bastaria um pano coral amarrado no corpo, nada mais e tudo estaria resolvido. Pra que comer? Livre-se deste mal que ele não te pertence (hauahuahs). Outra coisa que temos que nos livrar para nos tornarmos seres superiores. Lavação de roupa. Pra que lavar roupa? Virgem Maria! Por causa desta mania que temos em lavar roupa tive uma tragédia aqui na na casa do Edison. Vocês não tem noção.

Bom como tudo começou. Coloquei a roupa para lavar como faço a uns dez dias. Ah sim. A Escrava Isaura aqui não ia resistir ficar 10 dias longe de uma maquina de lavar (hauahuas). Já não bastava estar longe do fogão? Ficar longe da maquina de lavar era sacrifício demais. Vamos combinar. Bom, coloquei sabão, programei a  bicha, tudo nos tudo nos trinques e fomos almoçar.

Só que como como diz minha tia: urubu quando esta em dia de azar o de baixo suja na cabeça do urubu que esta em cima. Dito e feito. Quando saímos para fazer aquilo (maldoso). Pensou o que? Fomos almoçar, tá! Antes de sair verifiquei um tampão que o Edison tem para evitar a entrada de insetos pela tubulação. Gente, verifiquei tudo. TUDO MESMO!

Alguém aí pode se perguntar: Porque tanta preocupação com a entrada de insetos no apartamento. Gente, vamos combinar. Se barata do RJ não é fácil, imagina uma barata de Matinhos, totalmente desconhecida, precisando ser domesticada. Fala sério. Então é melhor não deixar a bicha entrar em casa mesmo. Todo cuidado é pouco. Para vocês terem uma idéia, as moscas daqui são de um tamanho descomunal. São enormes. Parecem verdadeiras uvas passas de tão grandes. Meninos e meninas quando vierem ao Paraná cuidado. Os bichos aqui ainda não foram totalmente catalogados e domesticados.

Bom, voltando. Aonde parei mesmo? Ah, deixei a roupa lavando e fomos almoçar. Fazer o que, né. Quando voltamos vimos uma aguinha escorrendo pela escada. Uma aguinha inocente, inocente. Aí Edison falou: Junior, cuidado para não escorregar porque estão lavando a escada. Eu ainda falei, puxa Dona Maria hoje resolveu trabalhar até mais tarde.

Quando chegamos na porta do apartamento havia um casal olhando para debaixo da nossa porta e vendo a aquela aguinha inocente (e eu já acreditando que nem era tão inocente assim saindo por debaixo da porta).

Sabe aquela sensação de você não querer acreditar. Na hora eu cheguei a pensar: Erramos a porta e a tal aguinha inocente (que a nesta altura do campeonato já era uma poça d'água) não é nossa. Só que Edison teimava em abrir a porta e a chave teimava em rodar na fechadura, confirmando a cada volta que eu estava errado e estávamos diante de uma tragédia. Quase uma tsunami ou o destino do Posseidon. Nada menor do que isto consegue explicara visão que teríamos após abrir aquela porta.

Quando a porta se abriu tudo confirmado. A casa estava alagada. Por motivos alheios a nossa vontade a água não desceu. O diabo do tampão resolveu funcionar que foi uma espetáculo. Olha aqui amigo, se tu ta rindo da minha tragédia, fazer o favor de parar, tá.

Agora eu pergunto e tu me responde. Porque nestas horas as coisas que não são para funcionar funcionam? Já repararam? Quando é para dar certo nada funciona, mas quando é para dar errado, BATATA. pqp. A vela nunca se apaga e pega fogo na cortina, a energia nunca falha e dá curto circuito, o tampão veda que é um espetáculo.

Resumo da opera. Tinha água até na altura da canela dentro de casa. Dava pra criar peixinho dourado e tudo. O Walter Planet abriu uma filial na casa do Edison naquele dia. Olha uma coisa de louco. E como tragédia pouca é bobagem. A casa não tinha ralo. Claro! Pra que ralo. A água não tinha para escolar para lugar nenhum. Tivemos que jogar toda a água escada abaixo. Olha aqui seu filhinho do coração…para de rir….

Como a merda já estava feita só nos restou uma alternativa. Secar tudo. Foi o que fizemos. Tome rodo. Tome pano de chão. Para melhorar, dona Maria (a Faxineira) passa e pergunta: O que houve? Edison quase disse: Nada dona Maria estamos lavando a casa. A gente sempre faz isto. A senhora não sabia disto?

Ah, lembram de Xande? Alexandre? Quem é a Alexandre? Alguém sabe? Alguém viu? Queridos ninguém viu. Ele apareceu na casa depois que terminamos todo o serviço com a cara mais deslavada do mundo e ainda teve a coragem de perguntar: nossa o que houve aqui?

Olha, e deu uma raiva que vocês não tem noção. Mais enfim, ele não teve culpa. A culpa foi minha por não prestar a atenção no que fiz.

Saldo da lavação. Dor na coluna, dor nos braços, dor na bacia. Quem manda ter vinte anos.

Beijos e abraços depois coloco as fotos da ceia de natal e conto da volta.

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